Estava no meu quarto, começando a arrumar minhas malas, quando me dei conta que falta muito pouco para a minha viagem. Viagem esta, que irá durar um ano, mas que por conta de vários motivos, tenho certeza de que parecerá uma eternidade.
Estou com medo!
Medo de não me readaptar “ao velho”... Medo de voltar às raízes e me sentir tão fracassada, derrotada, subestimada, insegura e fraca, quanto agora.
Sinto tanto medo de “fugir” e errar, outra vez. Digo “outra vez”, porque vejo que errei “vindo de encontro” com o que me fez sentir derrotada. Mas se não tivesse vivido tudo isso, não iria saber como poderia ter sido. Certo!?
Só lamento, mais uma vez, por ter deixado tudo isso chegar, aonde chegou.
Ah!... se eu tivesse o poder de prever as coisas à meu favor, à favor da minha dignidade, da minha moral, da minha saúde física, mental, emocional...
Também, não dá para negar que a falta de “previsão” me fez aprender muita coisa. Me fez crescer, amadurecer, dar valor à algumas coisas que antes me pareciam ser tão banais, a me conhecer e passar a entender que algumas das minhas atitudes, não são muito favoráveis à mim mesma. Acabei me conhecendo muito mais. Assim, como tive a oportunidade de conhecer mais, muitas das pessoas que me rodeiam, que fazem parte do meu dia-a-dia (ou não!), que fazem parte dos meus pensamentos, das minhas preocupações, sonhos, vida.
Consegui apurar um pouquinho mais o meu lado analítico, em relação as pessoas com as quais me envolvo, sejam elas: amigos, colegas, conhecidos, familiares, amores.
Posso até dizer que 80% da minha vivência, nesses dois últimos anos, me fizeram mais mulher (madura), conhecedora dos mais variados assuntos. Mas em contra-partida, os 20% restantes, me levaram fácil ao chão, depois de ter sido nocauteada bem no meio da cara, como em uma luta de boxe, pelo desgosto, mágoa, rejeição, pouco caso, indiferença... Fazendo com que eu me sentisse tão pequena e burra, tendo que admitir que eu sou frágil demais e que essa pose de durona que carrego, não é nada mais do que uma mera faixada.
Um gosto amargo invade minha boca, ao admitir isso... E, a cada gosto que vou sentindo, vou percebendo que a vida é assim mesmo, feita de doçuras e amarguras. Talvez, um dia, eu consiga equilibrar esses dois pólos. Pelo menos, assim espero!
É certeza que irei sentir saudades horrorosas da minha cidade do coração (São Paulo), mas tenho -apesar do medo- certeza de que é necessário me dar esse tempo.
Quando eu voltar, vou voltar com tudo. Cheia de novos planos, novos conhecimentos, novos anseios, desejos, novas e boas lembranças.... A certeza de que o amanhã, poderá ser diferente, grandioso e gratificante, é o que vem sendo o meu apoio (pedestal), para que eu consiga começar a me reerguer.
“Vamos na fé, porque não tem parada errada...”
Começo a correr com o tempo, não me deixando, apenas, vê-lo passar...
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